O Testemunho de São Mateus
Versão Ferreira de -Tradução de Joseph Smith
Capítulo 21
13 E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.
14 E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.
15 Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os filhos do reino clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se,
16 E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes as escrituras que dizem: Pela boca dos pequeninos e das criancinhas de peito, ó Senhor, tiraste o perfeito louvor?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.
18 E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;
19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, a não achou nenhum fruto nela e só folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.
20 E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?
21 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;
22 E, tudo o que pedires na oração, crendo com fé, o recebereis.
23 E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando já ensinando, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isto? e quem te deu tal autoridade?
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isto.
25 O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes?
26 E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta.
27 E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Ele disse-lhes: Nem eu vos digo com que autoridade faço isto.
28 Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha.
29 Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi.
30 E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse-lhe: Eu servirei, senhor; e não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O" primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.
32 Porque João veio a vós no caminho da justiça e testemunhou a meu respeito, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo a mim, nem depois vos arrependestes para o crer; pois aqulele que não creu João a meu respeito, não me pode crer, a não ser que se arrependa primeiro; e a não ser que vós vos arrependais, a pregação de João vos condenará no dia do juízo.
33 E de novo, ouvi, ainda, outra parábola: pois a vós que não credes, falo em parábolas, para que a vossa iniqüidade vos seja de recompensa. Eis que houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe.
34 E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.
35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro.
36 Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo.
37 E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.
39 E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.
40 E disse-lhes Jesus: Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?
41 Dizem-lhe eles: destruirá os maus miseráveis, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem frutos.
42 Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que o edificador rejeitou, Essa está para se tornar cabeça do ângulo; estes são os feitos do Senhor, E não são maravilhosos ao nossos olhos?
43 Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.
44 Pois, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.
45 E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que falava deles. E disseram entre si: Pensará este homem que sozinho arruinará este grande reino? e enraiveceram-se com ele.
46 E, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto souberam que a multidão o tinha por profeta. E eis que seus discípulos lhe vieram, e Jesus lhes disse: Maravilhai-vos por causa das palavras, ou a parábola, que lhes falei? Em verdade vos digo: Sou a pedra angular. Este judeus cairão sobre mim e despedaçar-se-ão; e o reino de Deus lhes será tirado e será dado a uma nação que dele produza frutos (significando os gentios). Portanto, sobre quem cair esta pedra, reduzi-lo-á a pó. E quando vier o senhor da vinha, este destruirá os iníquos miseráveis, e arrendará novamente a vinha a outros lavradores que, mesmo nos últimos dias, lhe dêem os frutos a seu tempo. Então entenderam a parábola que lhes falara, que os gentios também seriam destruídos quando o Senhor descesse do céu para reinar na sua vinha, que é o mundo e os habitantes do mesmo.
Capítulo 22
1 Então Jesus outra vez respondeu ao povo e tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo:
2 O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;
3 E quando as bodas estavam prontas, ele enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.
4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; portanto vinde às bodas.
5 Eles, porém, ridiculizaram os servos e foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico;
6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7 E o rei, tendo notícia de que seus servos estavam mortos, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.
8 Então disse aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.
9 Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.
10 E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados.
11 Mas o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias.
12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.
13 Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos, porquanto nem todos estão trajados com veste de núpcias.
15 Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra;
16 E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.
17 Dize-nos, pois, que te parece? é lícito pagar o tributo a César, ou não?
18 Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?
19 Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.
20 E ele disse-lhes: De quem e esta efígie e esta inscrição?
21 Disseram-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
22 E eles, ouvindo-o dizer estas palavras, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.
23 No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram,
24 Dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão.
25 Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão.
26 Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até o sétimo;
27 Por fim, depois de todos, morreu também a mulher.
28 Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?
29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus.
30 Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.
31 E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo:
32 Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.
33 E, as multidões, ouvindo-o, ficaram maravilhadas da sua doutrina.
34 E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.
35 E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
36 Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
37 E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38 Este é o primeiro e grande mandamento.
39 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
41 E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus,
42 Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi.
43 Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?
45 Se Davi, pois, lhe chamou Senhor, como é seu filho?
46 E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo.
1 Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos,
2 Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.
3 Todas as coisas, pois, que vos disserem que observais, farão que as observeis e façais; pois são ministros da lei e fazem-se vossos juízes, mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;
4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los;
5 E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
6 E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7 E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi (que significa mestre).
8 Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguém na terra chameis vosso criador ou vosso Pai Celestial, porque um só é o vosso criador e Pai Celestial, sim, aquele que está nos céus.
10 Nem vos chameis mestre, porque um só é o vosso Mestre, sim, aquele que o vosso Pai Celestial mandou, que é o Cristo; pois ele o mandou entre vós para que tenhais vida.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado por ele; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado por ele.
13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.
14 Ai de vós, escribas e fariseus, pois sois hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, e como pretexto fazeis prolongadas orações: por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
15 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
16 Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse peca e é devedor.
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?
18 E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.
19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta?
20 Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está;
21 E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita;
22 E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.
23 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.
24 Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo; que vos fazeis aparentar aos homens que não pecais em nada, todavia vós mesmos transgridem a lei toda.
25 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade.
26 Fariseus cegos! limpai primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,
30 E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.
31 Assim, vós mesmos testificais da vossa própria iniqüidade e sois os filhos dos que mataram os profetas.
32 E enchereis, então, a medida de vossos pais; pois vós mesmos matam os profetas como faziam os vossos pais.
33 Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?
34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.
38 Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;
39 Porque eu vos digo que desde agora não me vereis mais nem sabereis que sou aquele de quem os profetas escreveram, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor, nas nuvens do céu, e todos os santos anjos com ele. Então entenderam seus discípulos que ele retornaria à Terra depois de haver sido glorificado e coroado à mão direita de Deus.
Capítulo 24
1 E, Jesus saiu e afastou-se do templo; e aproximaram-se dele os seus discípulos para ouvi-lo, dizendo: Mestre, fala-nos a respeito dos edifícios do templo, pois disseste-Serão derrubados e far-se-vos-ão desertos.
2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? E não o entendeis? Em verdade vos digo que não ficará aqui neste templo pedra sobre pedra que não seja derrubada.
3 E Jesus os deixou e subiu-se ao Monte das Oliveiras. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas que disseste concernente à destruição do templo e dos judeus, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo ( ou seja, a destruição dos iníquos, que é o fim do mundo)?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;
5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
6 [Versículo omitido pelo profeta]
7 [Versículo omitido pelo profeta]
8 [Versículo omitido pelo profeta]
9 Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.
10 Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros.
11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.
12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.
13 Mas aquele que permanecer firme e não for vencido, esse será salvo.
14 [Versículo omitido pelo profeta]
15 Quando virdes as abominações de desolação de que falou o profeta Daniel, concernentes à destruição de Jerusalém, então estareis no lugar santo, (quem lê, atenda);
16 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;
17 E quem estiver sobre o telhado fuja e não volte para tirar coisa alguma de sua casa;
18 E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.
19 Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20. Portanto, orai ao Senhor para que vossa fuga não aconteça no inverno nem no dia do sábado;
21. Porque então, naqueles dias, grandes aflições cairão sobre os judeus e os habitantes de Jerusalém, tais como nunca foram antes enviados por Deus sobre Israel desde o princípio de seu reino até este momento, não, nem jamais tornarão a ser envidadas sobre Israel. Todas as coisas que lhes sucederam são somente o início das dores que lhes sobrevirão.
22 E a não ser que aqueles dias fossem abreviados, nenhum de sua carne se salvaria; mas por causa dos eleitos, conforme o convênio, aqueles dias serão abreviados.
23 Eis que essas coisas que vos falei a respeito dos judeus; e também, após as aflições daqueles dias que hão de cair sobre Jerusalém, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;
24 Pois naqueles dias surgirão também falsos Cristos e falsos profetas; e farão grandes sinais e prodígios de forma que, se possível, enganem até os próprios eleitos, que são os eleitos conforme o convênio. Eis que vos digo estas coisas pelo amor aos eleitos. E também ouvireis de guerras e rumores de guerras; vede que não vos inquieteis, pois tudo que vos disse há de acontecer, mas ainda não é o fim.
25 Eis que eu vo-lo tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.
27 Porque assim como a luz da manhã sai do oriente e brilha até o ocidente e cobre toda a Terra, assim será também a vinda do Filho do Homem.
28 E agora vos dou uma parábola: Eis que onde estiver o cadáver, aí se juntarão as águias; assim também serão os meus eleitos coligados dos quatro cantos da Terra. E eles ouvirão de guerras e rumores de guerras. Eis que vos falo por causa dos meus eleitos; porque nação se levantará contra nação e reino contra reino; haverá fomes e pestes e terremotos em diversos lugares. E também, por sobejar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará; mas o que não for vencido, esse será salvo. E também este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim, ou seja, a destruição dos iníquos. E também se cumprirá a abominação de desolação de que falou o profeta Daniel.
29 E imediatamente após a aflição daqueles dias, o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz; e as estelas cairão do céu e os poderes do céu serão abalados. Em verdade vos digo: Essa geração, na qual se mostrarão essas coisas, não passará até que tudo o que vos disse seja cumprido. Embora cheguem os dias em que o céu e a Terra hão de passar, todavia minhas palavras não passarão, mas todas serão cumpridas.
30 E, como eu disse antes, depois da aflição daqueles dias, depois de os poderes do céu serem abalados, então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e então se lamentarão todas as tribos da Terra; e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.
31 E aquele que entesourar minhas palavras não será enganado, pois o Filho do Homem virá, e enviará seus anjos diante dele com o grande som de uma trombeta; e eles ajuntarão o restante dos seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade do céu.
32 Aprendei, pois, a parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros, e ela começa a dar folhas, sabeis que está próximo o verão.
33 Assim também, os meus eleitos, quando virem todas estas coisas, saberão que ele está próximo, sim, às portas.
34 [Versículo omitido pelo profeta]
35 [Versículo omitido pelo profeta]
36 Mas daquele dia e hora ninguém sabe; não, nem os anjos de Deus no céu, senão somente meu Pai.
37 Mas assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem.
38 Porque será com eles como foi nos dias anteriores ao dilúvio; porque até o dia em que Noé entrou na arca, eles comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento;
39 E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.
40 Então, cumprir-se-á aquilo que está escrito: Que nos últimos dias, estando dois no campo, será levado um e deixado o outro;
41 Estando dois moendo no moinho, será levado um e deixado o outro;
42. E o que digo a um digo a todos os homens; vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.
43. Mas sabei isto: Se o bom pai de família soubesse a que vigília viria o ladrão, teria vigiado e não teria deixado minar a sua casa, mas estaria preparado.
44 Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?
46 Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.
47 E em verdade vos digo: Esse o porá sobre todos os seus bens.
48 Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;
49 E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,
50 Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,
51 E separá-lo-á e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes. E assim virá o fim dos iníquos, de acordo com a profecia de Moisés, que diz: Eles seráo afastados dentre o povo; contudo ainda não é o fim da Terra, mas está próximo.
Capítulo 25
1 E Então naquele dia, antes que o Filho do homem venha, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.
2 E cinco delas eram prudentes, e cinco delas loucas.
3 As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.
4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.
6 Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.
7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.
11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que não me conheceis.
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.
14 Agora assemelharei estas coisas a uma parábola. Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.
16 E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos.
17 Da mesma sorte, o que recebera dois talentos, granjeou também outros dois.
18 Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
20 Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles.
21 E o seu senhor lhe disse: Bem estás, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos.
23 Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;
25 E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; e eis, aqui está teu talento; tira-mo como tiraste dos outros servos, pois é teu.
26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei:
27 Portanto, estando conciente disto, devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.
28 Tirar-lhe-ei, pois, o talento, e dá-lo-ei ao que tem os dez talentos.
29 Porque a qualquer que tiver obtido outros talentos será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver ganho outros talentos até o que recebeu ser-lhe-á tirado.
30 E seu senhor dirá aos seus servos: Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
31 E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
32 E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
33 E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à sua esquerda.
34 E ele assentará no seu trono, e os doze apóstolos consigo. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
44 Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes meus pequeninos irmãos o não fizestes, não o fizestes a mim.
46 E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.
Capítulo 26
1 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discípulos:
2 Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e então o Filho do homem será traído e entregue para ser crucificado.
3 Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás.
4 E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem para dar cabo à sua obra.
5 Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.
6 E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,
7 Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado em casa.
8 E alguns, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício?
9 Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.
10 Quando assim haviam falado, Jesus os entendeu, e disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo.
11 Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.
12 Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.
13 E nisto que ela fez, será abençoada; pois em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua.
14 Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes,
15 E disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata,
16 E desde então buscava oportunidade para trair Jesus.
17 E, no primeiro dia da festa dos pães ázimos, chegaram os discípulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?
18 E ele disse: Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos.
19 E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa.
20 E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze.
21 E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair.
22 E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
23 E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.
24 Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traido! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.
25 E, respondendo Judas, o que o traía, disse: Porventura sou eu, Rabi? Ele disse: Tu o disseste.
26 E, quando comiam, Jesus tomou o pão, partiu-o, abençoando-o, e deu-o aos discípulos, e disse: Tomai, comei em lembrança do meu corpo, que dou como resgate por vós.
27 E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
28 Porque isto é lembrança do meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por todos quantos acreditarem em meu nome, para a remissão dos seus pecados.
29 E vos dou mandamento que atenteis em fazer as coisas que me vistes fazer e prestar testemunho de mim até o fim. Mas vos digo que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.
30 E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras.
31 Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.
32 Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia.
33 Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.
36 Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.
37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
38 Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.
39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.
40 E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo?
41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam pesados.
44 E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
45 Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores.
46 E depois que haviam dormido, ele lhes disse: Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai.
47 E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
48 E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o.
49 E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o.
50 Jesus, porém, lhe disse: Judas, porquanto vieste trair-me com um beijo? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.
51 E eis que um dos que estavam com Jesus, puxou da espada e estendeu a mão, ferindo o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe uma orelha.
52 Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.
53 Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?
54 Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?
55 Então disse Jesus à multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.
56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.
57 E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.
58 E Pedro o seguiu de longe, até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim.
59 Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte;
60 E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas,
61 E disseram: Este homem disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias.
62 E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma? Sabes o que estes depõem contra ti?
63 Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.
64 Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.
65 Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia.
66 Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: é réu e merece morte.
67 Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam,
68 Dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?
69 Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu.
70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71 E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.
72 E ele negou outra vez com juramento, dizendo: Não conheço tal homem.
73 E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.
74 Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.
Capítulo 27
1 E, chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;
2 E maniatando-o, o levaram e entregaram ao governador Pôncio Pilatos.
3 Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,
4 Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram-lhe: Que nos importa? Isso é contigo; que os teus pecados estejam sobre ti.
5 E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar em uma árvore. E logo em seguida se precipitou e derramaram-se todas as suas entranhas; e morreu.
6 E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.
7 E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros.
8 Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.
9 Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram,
10 E por conseguinte tomaram as moedas de prata, e deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou pela boca de Jeremias.
11 E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o interrogou, dizendo: Ès tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu dizes a verdade, pois assim foi escrito a respeito de mim.
12 E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
13 Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?
14 E a nenhuma pergunta lhe respondeu, sim, nenhuma palavra, de sorte que o governador estava muito maravilhado.
15 Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.
16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.
17 Portanto, estando eles reunidos, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?
18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.
19 E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque numa visão muito sofri por causa dele.
20 Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.
21 E, respondendo o governador, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás.
22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.
23 O governador, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.
24 Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Cuidai de não lhe fazerdes nada.
25 E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.
26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
27 E logo os soldados do governador, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dele toda a coorte.
28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa de púrpura;
29 E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus.
30 E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça.
31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado.
32 E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz.
33 E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que se diz: Lugar de Enterro,
34 Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.
35 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre se as minhas vestes, e pela minha túnica lançaram sortes.
36 E, assentados, o guardavam ali.
37 E Pilatos escreveu um título, e colocou-o na cruz, que dizia: Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus, em letras de grego, latim e hebraico. E o principal dos sacerdotes disse a Pilatos: Assim se deve escrever e por cima da sua cabeça pôr a sua acusação: Este é quem disse que era jesus, o rei dos judeus. Mas Pilatos respondeu-lhe e disse: O que escrevi, escrevi; deixa-o assim.
38 E foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.
39 E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças,
40 E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz.
41 E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam:
42 Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos.
43 Confiou em Deus; livre-o agora, se o salvar, que o salve; porque disse: Sou Filho de Deus.
44 E o mesmo lhe lançou também em rosto um dos salteadores que com ele estavam crucificados. Mas o outro o reprovou, dizendo: Não temes a Deus, visto que estás sob a mesma condenação; e aquele homem é justo e em nada pecou; e clamou ao Senhor que o salvasse. E o Senhor lhe disse: Neste dia estarás comigo no Paraíso.
45 E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona.
46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias,
48 E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.
49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.
50 E Jesus, quando clamou outra vez com grande voz, dizendo: Pai, está consumado, a tua vontade está feita, rendeu o espírito.
51 E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;
52 E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
53 E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.
54 E quando os centuriões e os que com eles guardavam a Jesus, ouviram o terremoto, e viram as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.
55 E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir no seu enterro;
56 Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
57 E, vinda já a tarde, chegou um homem rico, de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus.
58 Este foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.
59 E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol,
60 E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.
61 E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro.
62 E no dia seguinte, que é o dia depois da Preparação, reuniram-se os príncipes dos sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos,
63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei.
64 Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, não se dê o caso que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dentre os mortos; e assim este último falsificador será pior do que o primeiro.
65 E disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda; ide, guardai-o como entenderdes.
66 E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra.
Capítulo 28
1 E, no fim do dia do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, cedo de manhã Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2 E eis que houvera um grande terremoto, porque dois anjos do Senhor, descendo do céu, chegaram, removendo a pedra da porta, e sentaram-se sobre ela.
3 E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve.
4 E os guardas, com medo deles, estremeceram e ficaram como se estivessem mortos.
5 Mas os anjos, respondendo, disseram às mulheres: Não tenhais medo; pois sabemos que buscais a Jesus, que foi crucificado.
6 Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia.
7 Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.
8 E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos.
9 E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram.
10 Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia, e lá me verão.
11 E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.
12 E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
13 Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
14 E, se isto chegar a ser ouvido pelo governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
15 E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje.
16 E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.
17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
18 E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: é-me dado todo o poder no céu e na terra.
19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20 Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.