Versão Ferreira de -Tradução de Joseph Smith
1 Disse-lhes outra vez: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder.
2 E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, que lhe fizeram muitas perguntas sobre seus dizeres, e Jesus os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles;
3 E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, de tal alvura como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.
4 E apareceu-lhes Elias, com Moisés, ou em outras palavras, João o Batista e Moisés, e falavam com Jesus.
5 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, é bom que estejamos aqui; e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.
6 Pois não sabia o que dizer, porque estavam assombrados.
7 E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi.
8 E, tendo olhado em redor cheios de admiração, ninguém mais viram, senão só Jesus com eles. E partiram de imediato.
9 E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos.
10 E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dentre os mortos.
11 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?
12 E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas preparará; e ensinar-vos-á acerca dos profetas; como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado.
13 Outra vez vos digo, porém, que Elias já veio, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram, e assim como dele está escrito, testemunhou a respeito de mim, e não o receberam. Em verdade esse foi Elias.
14 E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidão, e alguns escribas que disputavam com eles.
15 E logo toda a multidão, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram.
16 E perguntou Jesus aos escribas: Que é que questionastes com eles?
17 E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo, que é um demônio;
18 E este, quando o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
19 Jesus lhe falou e disse: ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo.
20 E trouxeram-no a Jesus; e quando o homem o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando.
21 E perguntou Jesus ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E o pai disse-lhe: Desde a infância.
22 E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes, rogo-te que tenhas compaixão de nós, e ajudes-nos.
23 E Jesus disse-lhe: Se tu puderes crer, tudo que eu te disser, isto é possível ao que crê.
24 E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.
25 E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Eu te ordeno que saias dele e não entres mais nele.
26 Ora, o espírito mudo e surdo clamou, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.
27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.
28 E, quando entrou Jesus em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar?
29 E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum.
30 E, tendo partido dali, caminharam pela Galiléia em segredo, e não queria que alguém o soubesse;
31 Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia.
32 Mas eles não entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo.
33 E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Por que estáveis vós discutindo pelo caminho?
34 Mas eles calaram-se, tendo medo; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior entre eles.
35 Ora, Jesus, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.
36 E, lançando mão de um menino, sentou-se no meio deles e, tomando o pequenino nos seus braços, disse-lhes:
37 Qualquer que se humilhar como um destes meninos e a mim me receber, recebereis em meu nome, e qualquer que a mim me receber, recebe, não apenas a mim, mas ao que me enviou, o próprio Pai.
38 E João lhe falou, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos seguiu; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
39 Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa falar mal de mim.
40 Porque quem não é contra nós, é por nós.
41 E qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.
42 E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.
43 Portanto, se a tua mão te escandalizar, corta-a; ou, se teu irmão te escandalizar, e não confessar, e não renunciar, esse será cortado. Melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno; pois melhor é para ti entrar na vida sem teu irmão do que tu e teu irmão serdes lançados no inferno, para o fogo que nunca se apaga,
44 Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga.
45 E, outra vez, se o teu pé te escandalizar, corta-o; pois aquele que é teu mentor espiritual, segundo quem caminhas, se ele se tornar pecador, será cortado. Melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga,
46 Portanto, que todo homem se sustenha, ou caia, por si mesmo e não por outrem, nem por confiar em outro. Buscai o meu Pai, e ser-vos-á feito no momento exato o que pedirdes, se pedirdes com fé, crendo que recebereis.
47 E, se o teu olho, que vê por ti, ou seja, o que é designado para mostrar-te a luz, se tornar pecador e escandalizar-te, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno,
48 Pois melhor é que te salves a ti do que seres lançado no inferno com teu irmão, onde o seu bicho não morre, e onde o fogo nunca se apaga.
49 Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal;
50 Mas o sal tem que ser bom. Porque se o sal se tornar insípido, com que o (o sacrifício) temperareis? Portanto, há de ser que tenhais sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.
1 E, levantando-se dali, foi para os termos da Judéia, além do Jordão, e a multidão se reuniu em torno dele; e, como tinha por costume ensinar, também tornou a ensiná-los.
2 E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe: é lícito ao homem repudiar sua mulher? E isto disseram para tentá-lo.
3 Mas ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés?
4 E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar.
5 Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos corações vos deixou ele escrito esse mandamento;
6 Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
7 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,
8 E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.
9 Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
10 E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo.
11 E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela.
12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.
13 E traziam-lhe crianças para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhas traziam.
14 Jesus, porém, ouvindo-os, indignou-se, e disse-lhes: Deixai os pequeninos virema mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.
15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele.
16 E, tomando-as nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, as abençoou.
17 E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
18 E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.
19 Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe.
20 O homem, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade.
21 E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me.
22 Mas o homem, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.
23 Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de meu Pai os que têm riquezas!
24 E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!
25 é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
26 E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se?
27 Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens que confiam em riquezas é impossível, mas não impossível para os homens que confiam em Deus e deixam tudo por amor de mim, porque para tais todas estas coisas são possíveis.
28 E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos.
29 E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,
30 Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.
31 Porém muitos há que se fazem primeiros que serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros.
32 Isto disse ele, repreendendo Pedro; e iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante. E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados. E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir.
33 E disse Jesus: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios.
34 E o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; e, ao terceiro dia, ressuscitará.
35 E aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos.
36 E ele lhes disse: Que quereis que vos faça?
37 E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.
38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?
39 E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado;
40 Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas o receberão aqueles a quem está reservado.
41 E os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João.
42 Mas Jesus, chamando-os, disse-lhes: Sabeis que os que são designados para ser governantes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas;
43 Mas entre vós não há de ser assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal;
44 E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
45 Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.
46 Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.
47 E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.
48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais, dizendo: Filho de Davi! tem misericórdia de mim.
49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.
50 E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
51 E Jesus disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
52 E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.
1 E, logo que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos,
2 E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo.
3 E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui.
4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.
5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
6 Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir.
7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se Jesus sobre ele.
8 E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.
9 E aqueles que iam adiante dele, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor;
10 Que traz o reino do nosso pai Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.
11 E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, quando viu tudo em redor, abençoou os discípulos, e como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.
12 E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
13 E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, aproximou-se dela junto com os discípulos; e, como supunham, ele foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque ainda não era tempo de figos.
14 E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos o ouviram.
15 E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
16 E não consentia que alguém levasse vaso pelo templo.
17 E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
18 E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.
19 E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade.
20 E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.
21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.
22 E Jesus falou e disse-lhe: Tem fé em Deus;
23 Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será cumprido.
24 Por isso vos digo que todas as coisas que desejardes, orando, crede receber, e tereis o que pedirdes.
25 E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.
26 Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.
27 E tornaram a Jerusalém, e, andando ele pelo templo, o principal dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos, se aproximaram dele.
28 E lhe disseram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas?
29 Mas Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me; e então vos direi com que autoridade faço estas coisas:
30 O batismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.
31 E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes?
32 Se, porém, dissermos: Dos homens, ofenderemos o povo. Portanto, temeram o povo; porque todo o povo cria em João, que verdadeiramente era profeta.
33 E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas.
1 E começou Jesus a falar-lhes por parábolas, dizendo: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um valado, e fundou nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra.
2 E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fruto da vinha.
3 Mas estes, apoderando-se do servo, o feriram e o mandaram embora vazio.
4 E tornou a enviar-lhes outro servo; e eles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o afrontado.
5 E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns feriram e a outros mataram.
6 Tendo ele, pois, ainda um seu filho amado, enviou-o também a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.
7 Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e a herança será nossa.
8 E, pegando dele, o lançaram fora da vinha e mataram-no..
9 Que fará, pois, o senhor da vinha? Eis que virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.
10 Ainda não lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Esta foi posta por cabeça de esquina;
11 Isto foi feito pelo Senhor. E é coisa maravilhosa aos nossos olhos?
12 E então se iravam ao ouvir estas palavras; e buscavam prendê-lo, mas temiam a multidão; porque entendiam que contra eles dizia esta parábola; e, deixando-o, foram-se.
13 E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra.
14 E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas á aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?
15 Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja.
16 E eles lhe trouxeram a moeda. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César.
17 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se disto.
18 Então os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele, e perguntaram-lhe, dizendo:
19 Mestre, Moisés nos escreveu na sua lei que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão.
20 Ora, havia sete irmãos, o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência;
21 E o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira.
22 E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher.
23 Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Errais vós, portanto, em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?
25 Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos de Deus que estão nos céus.
26 E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?
27 Ele não é, portanto, o Deus de mortos, mas sim, é Deus de vivos; pois os levanta das suas sepulturas. Por isso vós errais muito.
28 Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Escutai e ouvi, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele;
33 E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais, dizendo: Quem és tu?
35 E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?
36 O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.
37 Pois, se Davi mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade; mas o principal dos sacerdotes e os anciões se escandalizaram nele.
38 E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças,
39 E das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias;
40 Que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação.
41 E depois disso, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
42 Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.
43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;
44 Porque todos os ricos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, apesar da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, sim, todo o seu sustento.
1 E, saindo Jesus do templo, foram ter com ele para ouvi-lo os seus discípulos, dizendo: Mestre, mostra-nos acerca dos edifícios do templo.
2 E disse-lhes: Vedes estas pedras do templo e estas grandes obras todas e os edifícios do templo? Em verdade vos digo que serão derrubados e deixados desolados aos judeus. E Jesus lhes disse: Não vedes todas estas coisas e não as entendeis? Em verdade vos digo: Não ficará aqui neste templo pedra sobre pedra que não seja derrubada.
3 E Jesus os deixou e subiu-se ao Monte das Oliveiras. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram a ele os seus discípulos em particular, dizendo:
4 Dize-nos, quando serão essas coisas que disseste concernente à destruição do templo e dos judeus, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo (ou seja, a destruição dos iníquos, que é o fim do mundo)?
5. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;
6 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
7 [Versículo omitido pelo profeta]
8 [Versículo omitido pelo profeta]
9 [Versículo omitido pelo profeta]
10 [Versículo omitido pelo profeta]
11 Então vos entregarão para serdes afligidos, e matar-vos-ão, e sereis odiados de todas as nações pelo amor do meu nome.
12 E então muitos se escandalizarão, e trair-se-ão uns aos outros, e surgirão muitos falso profetas que enganarão a muitos, e por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.
13 Mas aquele que permanecer até o fim, esse será salvo.
14 Quando virdes. portanto as abominações de desolação de que falou o profeta Daniel, concernente à destruição de Jerusalém, então estareis no lugar santo, (quem lê, atenda); então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;
15 E quem estiver sobre o telhado fuja e não volte para tirar coisa alguma de sua casa;
16 E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.
17 E ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
18 Portanto, orai ao Senhor para que vossa fuga não aconteça no inverno nem no dia do sábado;
19 Porque então, naqueles dias, grandes aflições cairão sobre os judeus e os habitantes de Jerusalém, tais como nunca foram antes enviados por Deus sobre Israel desde o princípio de seu reino (porque está escrito: Seus inimigos os espalharão) até este momento, não, nem jamais tornarão a ser envidadas sobre Israel.
20 Todas as coisas são somente o início das dores. E a não ser que aqueles dias fossem abreviados, nenhum de sua carne se salvaria; mas por causa dos eleitos, conforme o convênio, aqueles dias serão abreviados. Eis que essas coisas que vos falei a respeito dos judeus.
21 E então, logo após as aflições daqueles dias que hão de cair sobre Jerusalém, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;
22 Pois naqueles dias surgirão também falsos Cristos e falsos profetas; e farão grandes sinais e prodígios de forma que, se possível, enganem até os próprios eleitos, que são os eleitos conforme o convênio. Eis que vos digo estas coisas pelo amor aos eleitos. E também ouvireis de guerras e rumores de guerras; vede que não vos inquieteis,
23 Pois tudo que vos disse há de acontecer, mas ainda não é o fim. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque assim como a luz da manhã sai do oriente e brilha até o ocidente e cobre toda a Terra, assim será também a vinda do Filho do homem. E agora vos dou uma parábola: Eis que onde estiver o cadáver, aí se juntarão as águias; assim também serão os meus eleitos coligados dos quatro cantos da Terra. E eles ouvirão de guerras e rumores de guerras. Eis que vos falo por causa dos meus eleitos; porque nação se levantará contra nação e reino contra reino; haverá fomes e pestes e terremotos em diversos lugares. E também, por sobejar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará; mas o que não for vencido, esse será salvo. E também este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim, ou seja, a destruição dos iníquos. E também se cumprirá a abominação de desolação de que falou o profeta Daniel.
24 E imediatamente após a aflição daqueles dias, o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz;
25 E as estelas cairão do céu e os poderes do céu serão abalados. Em verdade vos digo: Essa geração, na qual se mostrarão essas coisas, não passará até que tudo o que vos disse seja cumprido. Embora cheguem os dias em que o céu e a Terra hão de passar, todavia minhas palavras não passarão, mas todas serão cumpridas. e, como eu disse antes, depois da aflição daqueles dias, depois de os poderes do céu serem abalados, então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e então se lamentarão todas as tribos da Terra;
26 E verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória, e aquele que entesourar minhas palavras não será enganado, pois o Filho do Homem virá,
27 E enviará seus anjos diante dele com o grande som de uma trombeta; e eles ajuntarão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade do céu.
28 Aprendei, pois, a parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros, e ela começa a dar folhas, sabeis que está próximo o verão.
29 Assim de igual forma, os meus eleitos, quando virem todas estas coisas, saberão que ele está próximo, sim, às portas.
30 [Versículo omitido pelo profeta]
31 [Versículo omitido pelo profeta]
32 Mas daquele dia e hora ninguém sabe; não, nem os anjos de Deus no céu, senão somente meu Pai.
33 Mas assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem; porque será com eles como foi nos dias anteriores ao dilúvio; porque até o dia em que Noé entrou na arca, eles comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento; e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e levou-os a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.
34 Então, cumprir-se-á aquilo que está escrito: Que nos últimos dias, estando dois no campo, será levado um e deixado o outro; estando dois moendo no moinho, será levado um e deixado o outro; e o que digo a um digo a todos os homens.
35 Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.
Mas sabei isto: Se o bom pai de família soubesse a que vigília viria o ladrão, teria vigiado e não teria deixado minar a sua casa, mas estaria preparado.
36 Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. E em verdade vos digo: Esse o porá sobre todos os seus bens. Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá; e começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios, virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á e destinará a sua parte com os hipócritas. Ali haverá pranto e ranger de dentes; e assim virá o fim.
37 [Versículo omitido pelo profeta]
1 E dali a dois dias era a páscoa, e a festa dos pães ázimos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como prenderiam Jesus com dolo, e o matariam.
2 Mas eles diziam entre si: Não o prendamos na festa, para que porventura não se faça alvoroço entre o povo.
3 E, estando Jesus em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lhe derramou o ungüento sobre a cabeça.
4 Alguns houve entre os discípulos que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de ungüento?
5 Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela.
6 Jesus, porém, lhes disse: Deixai-a, por que a molestais? Porque ela me fez boa obra.
7 Sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes.
8 Esta fez o que podia, e isto que ela me fez será lembrado em gerações vindouras, onde quer que meu evangelho seja pregado; pois em verdade antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.
9 Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória.
10 [Versículo omitido pelo profeta]
11 [Versículo omitido pelo profeta]
12 E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa?
13 E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o.
14 E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?
15 E ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado e preparado; preparai-a ali.
16 E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa.
17 E, chegada a tarde, foi com os doze.
18 E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me.
19 E eles todos começaram a entristecer-se muito e começaram a dizer-lhe um após outro: Sou eu? E outro disse: Sou eu?
20 Mas ele, respondendo, disse-lhes: é um dos doze, que põe comigo a mão no prato.
21 Na verdade o Filho do homem vai, como dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para o tal homem não haver nascido.
22 E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai-o e comei: Eis que isto é para fazerdes em lembranca do meu corpo; porque todas as vezes que fizerdes isto, lembrar-vos-eis desta hora que estive convosco.
23 E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele.
24 E disse-lhes: Isto é em memória do meu sangue que foi derramado a favor de muitos, e do novo testamento, que vos dou; pois de mim testificareis a todo o mundo. E sempre que o fizerdes, lembrar-vos-eis desta hora que estive convosco, e bebi convosco deste cálice, sim a última vez do meu ministério.
25 Em verdade vos digo que disto prestareis testemunho; pois não beberei mais do fruto da vide convosco, até àquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus. E agora lamentaram e choraram-no.
26 E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras.
27 E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.
28 Mas, depois que eu houver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galiléia. E disse a Judas Iscariotes, o que fazes, faze depressa; mas te acautela de sangue inocente. Todavia, Judas Iscariotes, um dos doze, foi aos principais dos sacerdotes para lhes trair Jesus; pois lhe virou as costas e escandalizou-se por causa de suas palavras. E quando os principais dos sacerdotes o ouviram, contentaram-se e prometeram dar-lhe dinheiro; e procurou uma forma conveniente de trair a Jesus.
29 E disse Pedro a Jesus: Ainda que todos se escandalizem em ti, nunca, porém, eu me escandalizarei.
30 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás.
31 Mas ele disse com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, mesmo assim, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos também.
32 E foram a um lugar chamado Getsêmani, que era um jardim; os discípulos começaram a assombrar-se amargamente e a entristecer-se e a reclamar no coração perguntando-se a si mesmos se aquele era o Messias. E Jesus, conhecendo-lhes o coração, disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro.
33 E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e repreendeu-os.
34 E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste, sim, até a morte; ficai aqui, e vigiai.
35 E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
36 E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não, porém, a minha vontade, e sim, que seja feita a tua.
37 E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não podes vigiar uma hora?
38 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. E eles lhe disseram: O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
39 E foi outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.
40 E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados, e não sabiam o que responder-lhe.
41 E voltou terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora, e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem vai ser entregue na mão dos pecadores.
42 E depois que acabaram de dormir, ele disse: Levantai-vos, vamos; eis que está perto o que me trai.
43 E logo, falando ele ainda, veio Judas, que era um dos doze, da parte dos principais dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciãos, e com ele uma grande multidão com espadas e varapaus.
44 Ora, o que o traía, tinha-lhes dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o, e levai-o com segurança.
45 E, logo que chegou, aproximou-se dele, e disse-lhe: Rabi, Rabi. E beijou-o.
46 E lançaram-lhe as mãos, e prenderam-no.
47 E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe uma orelha. Mas Jesus o mandou que embainhasse a espada, dizendo: Todo aquele que lançar mão da espada, à espada perecerá. E estendeu o dedo e curou o servo do sumo sacerdote.
48 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Saístes com espadas e varapaus a prender-me, como a um salteador?
49 Todos os dias estava convosco ensinando no templo, e não me prendestes; mas isto é para que a escritura se cumpra.
50 Então os discípulos, quando ouviram estas palavras, deixaram-no todos e fugiram.
51 E um certo jovem o seguia, um discípulo, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão.
52 Mas ele, largando o lençol, fugiu nu, e salvou-se das mãos deles.
53 E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas.
54 E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume.
55 E o principal dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, mas não o achavam.
56 Embora muitos testificassem falsamente contra ele, mesmo assim os testemunhos não eram coerentes.
57 E, levantando-se certos homens, testificaram falsamente contra ele, dizendo:
58 Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.
59 E nem assim o seu testemunho era coerente.
60 E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Não sabes o que testificam estes contra ti?
61 Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: és tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?
62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.
63 E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?
64 Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte.
65 E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.
66 E, estando Pedro embaixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote;
67 E, vendo a Pedro, que se estava aquentando, olhou para ele, e disse: Tu também estavas com Jesus Nazareno.
68 Mas ele negou-o, dizendo: Não o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora ao alpendre, e o galo cantou.
69 E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais.
70 Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu, e tua fala é semelhante.
71 E ele começou a praguejar, e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.
72 E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se das palavras que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, retirando-se dali, prostrou-se em terra e chorou amargamente.
1 E, logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho e condenaram-no; e, ligando-o, o levaram e entregaram a Pilatos.
2 E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E Jesus, respondendo, disse-lhe: Sou o que tu dizes.
3 E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia.
4 E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.
5 Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.
6 Ora, no dia da festa era costume Pilatos soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem.
7 E havia um homem chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte.
8 E a multidão, dando gritos, começou a pedir que lhes entregasse Jesus.
9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?
10 Porque ele bem sabia que por inveja o principal dos sacerdotes o tinham entregado.
11 Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás, como ele (Pilatos) antes havia lhes feito.
12 E Pilatos lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus?
13 E eles tornaram a clamar: Entrega-o a nós para que seja crucificado. Leva-o. Crucifica-o.
14 Mas Pilatos lhes disse: Por que, que mal fez? Mas eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o.
15 Ora Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado.
16 E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte.
17 E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.
18 E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus!
19 E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram.
20 E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim de o crucificarem.
21 E constrangeram um certo Simão, cireneu, pai de Alexandria e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.
22 E levaram-no ao lugar chamado Gólgota, que se traduz por lugar de enterro.
23 E deram-lhe a beber vinagre com bílis, e quando havia sentido o vinagre, ele não o tomou.
24 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre elas sortes, para saber o que cada um levaria.
25 E era a hora terceira quando o crucificaram.
26 E Pilatos escreveu a sua acusação e colocou-a na cruz: O Rei dos Judeus. Estavam próximos certos sumo sacerdotes que disseram a Pilatos: Escreve que ele disse: Sou rei dos judeus. Mas Pilatos lhes disse: O que escrevi, escrevi.
27 E crucificaram com ele dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda.
28 E cumprindo-se a escritura que disse: E com os malfeitores foi contado.
29 E os que passavam blasfemavam dele, meneando as suas cabeças, e dizendo: Ah! tu que derrubas o templo, e em três dias o edificas,
30 Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz.
31 E da mesma maneira também os principais dos sacerdotes, com os escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e não pode salvar-se a si mesmo.
32 O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Também um dos que com ele foram crucificados o injuriava, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti e a nós.
33 E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.
34 E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
35 E alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, diziam: Eis que chama por Elias.
36 E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a numa cana, deu-lho a beber; e outros falaram, dizendo: Deixai-o, vejamos se virá Elias tirá-lo.
37 E Jesus, dando um grande brado, expirou.
38 E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.
39 E o centurião, que estava defronte dele, vendo que assim clamando expirara, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.
40 E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
41 As quais também o seguiam, e o serviam, quando estava na Galiléia; e muitas outras, que tinham subido com ele a Jerusalém.
42 E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,
43 Chegou José de Arimatéia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.
44 E Pilatos se maravilhou e perguntou se já estava morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.
45 E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José;
46 O qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro.
47 E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o punham.
1 E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.
2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.
3 E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?
4 Mas, olhando, viram que já a pedra estava revolvida (pois era ela muito grande),
5 E dois anjos assentados nela, vestidos de roupas compridas, brancas; e ficaram espantadas.
6 Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.
7 E ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse.
8 E elas, entrando no sepulcro, viram o lugar onde puseram Jesus. E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam.
9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.
10 E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando.
11 E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram.
12 E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo.
13 E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram.
14 Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado.
15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.
17 E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;
18 Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.
19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.
20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.